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10 restaurantes e table d'hôtes onde comer à moda local nas Maurícias

10 restaurantes e table d'hôtes onde comer à moda local nas Maurícias

Atualizado em: março de 2019

Comer à moda mauriciana: porque é uma das melhores decisões da sua estadia

Comecemos com uma constatação um pouco crua: os restaurantes dos grandes hotéis das Maurícias são muitas vezes dececionantes face ao que custam. Os buffets all inclusive carecem de personalidade, e as “noites crioulas” organizadas para os turistas raramente têm de crioulo mais do que o nome. Entretanto, a poucos quilómetros dali, famílias mauricianas servem refeições de qualidade gastronómica real por uma fração do preço.

A cozinha mauriciana é o reflexo direto da história da ilha: um cruzamento de culturas indianas, africanas, chinesas, francesas e crioulas que produziu uma gastronomia de riqueza excecional. Os caris apimentados, os rougailles perfumados, os achards estaladiços, as brèdes salteadas com alho, os dholl puri da manhã — outras tantas nuances que merecem ser descobertas no seu contexto natural, longe dos buffets estandardizados. O nosso guia gastronómico das Maurícias apresenta uma visão completa desta riqueza culinária.

Eis dez moradas — table d’hôtes, restaurantes de bairro, tasquinhas queridas dos locais — que me marcaram ao longo das minhas estadias.

Em resumo

Detalhe
OndeTable d’hôtes e tasquinhas por todo o país, do sul (Mahébourg) ao centro (Curepipe)
Preço médioCerca de 4 a 15 € numa tasquinha ou table d’hôte, 20 a 50 € num restaurante mais cuidado
ReservaIndispensável nas table d’hôtes, muitas vezes por WhatsApp
Como chegarCarro alugado recomendado para a maioria das moradas afastadas das zonas turísticas
Melhor épocaO ano todo, a cozinha local não é sazonal

Comparativo rápido das moradas deste artigo

MoradaCidadeOrçamento indicativoIdeal para
Chez RosyMahébourg~15 €/pessoaRefeição convivial em mesa comum
Le ComptoirPort Louis4-6 €/pessoaAlmoço rápido e autêntico
Le BatelageTamarin20-30 €/pessoaAmbiente romântico, lagosta
Chez MaxQuatre Bornes~1 €/dholl puriStreet food e orçamento reduzido
Le BarachoisBlue Bay20-30 €/pessoaPeixe fresco do dia
La Chaumière du LacCurepipe40-50 €/pessoaJantar especial, ambiente cuidado

O que é preciso saber antes de partir à procura destas moradas

Muitos destes restaurantes e table d’hôtes situam-se fora das zonas turísticas clássicas, em aldeias ou bairros residenciais pouco frequentados pelos visitantes. Um carro alugado facilita muito o acesso a estas moradas, em particular as do sul como Rivière des Anguilles ou Mahébourg, mal servidas pelos autocarros turísticos. Se viajar sem veículo, um táxi por dia continua a ser uma alternativa viável para combinar vários destes almoços com a visita a uma região.

O pagamento em dinheiro continua a ser a norma nas tasquinhas e em muitas table d’hôtes — leve sempre algumas rupias consigo, pois os cartões bancários nem sempre são aceites.

1. Table d’hôte Chez Rosy, Mahébourg

Rosy é uma figura no mundo das table d’hôtes mauricianas. Esta senhora na casa dos sessenta recebe os seus hóspedes na sua grande casa crioula em Mahébourg como se fossem membros da família. A refeição é feita numa grande mesa comum, muitas vezes com outros viajantes.

O menu muda todos os dias consoante os produtos disponíveis e o humor de Rosy, mas gira invariavelmente à volta das mesmas delícias: cari de frango com especiarias caseiras, caldeirada de peixe, arroz cozido a vapor, lentilhas, achard de legumes estaladiço e picante, e para terminar uma sobremesa à base de maracujá ou goiaba. Conte com cerca de 15 euros por pessoa, vinho local incluído.

Mahébourg é uma das cidades mais encantadoras do sul das Maurícias, com o seu mercado de segunda-feira de manhã e o seu museu da Marinha. Combinar uma visita à cidade com um almoço em casa de Rosy é um dia perfeito.

Reserva indispensável — os lugares são limitados e Rosy não gosta de desperdiçar. Contacte por WhatsApp.

2. Le Comptoir, Port Louis

No centro de Port Louis, Le Comptoir é a morada de almoço dos empresários e funcionários públicos do bairro. Foi uma recomendação de um taxista que segui às cegas — e nunca me arrependi.

Aqui come-se pratos cozinhados lentamente desde o amanhecer. A rougaille de salsichas, o feijão vermelho crioulo, o cari de lentilhas coral com o seu arroz basmati e os seus pedacinhos de peixe fritos ao lado. Tudo é confecionado para ser consumido ao meio-dia — não há serviço à noite. O ambiente é despretensioso — algumas mesas de fórmica, uma ventoinha no teto — mas a comida é deslumbrante.

Preço: cerca de 4 a 6 euros pela refeição completa. Sim, leu bem.

Aproveite a passagem por Port Louis para explorar o mercado central e o Caudan Waterfront antes ou depois do almoço. O nosso guia de Port Louis apresenta os pontos imperdíveis da capital.

Para descobrir a gastronomia da ilha de forma imersiva, um tour de street food no mercado central de Port Louis mergulha-o nos sabores autênticos da capital com um guia local. Para aprender a reproduzir estes sabores em casa, está disponível uma aula de cozinha mauriciana com prova a partir de Grand Baie.

3. Le Batelage, Tamarin

Tamarin é uma cidade de surfistas e expatriados com um carácter distinto. O Le Batelage, instalado à beira do rio Tamarin, combina um ambiente romântico — esplanada sobre estacaria, barcos que passam — com uma cozinha crioula de muito bom nível. É uma daquelas moradas a meio caminho entre o restaurante gastronómico e a mesa familiar, que acaba por se revelar a mais satisfatória.

As suas lagostas grelhadas com manteiga de ervas locais, acompanhadas de arroz partido e salada crioula, ficam-me na memória como uma das melhores refeições da ilha. As doses são generosas, o serviço descontraído e caloroso.

Tamarin é também a melhor base para nadar com golfinhos de manhã cedo. Combine o passeio matinal com um almoço no Le Batelage para um dia memorável.

4. Chez Max, Quatre Bornes

No mercado de Quatre Bornes, Chez Max é uma instituição. É uma tasquinha no sentido mais nobre do termo: algumas mesas lá fora, um balcão onde Max e os seus dois empregados se movimentam num vapor de cari, uma ardósia que lista os pratos do dia em kreol.

O dholl puri do Max é lendário na cidade. Estas panquecas de farinha de ervilha partida, servidas recheadas com feijão salteado, chatini de coco e uma colher de condimentos, são O pequeno-almoço ou O lanche das Maurícias. Por 50 rupias (cerca de 1 euro), tem o dholl puri mais satisfatório das suas viagens.

Quatre Bornes fica a meio caminho entre Port Louis e Curepipe, o que a torna uma paragem natural num circuito pelos planaltos.

5. Table d’hôte Chez Mémé Thérèse, Rodrigues

Sim, eu sei — Rodrigues não fica ao lado. Mas se tiver a inteligência de apanhar o ferry ou o avião até esta pequena ilha satélite, a morada de Mémé Thérèse em Port Mathurin merece o desvio.

Mémé Thérèse é uma cozinheira excecional que prepara as receitas tradicionais rodriguenses: o “civet” de cabrito, os “cotomili” (pratos picantes com coentros), o famoso “piment roussi” rodriguense. A cozinha de Rodrigues é mais picante e mais rústica do que a cozinha mauriciana do continente. Uma refeição completa aqui, com entrada, prato principal, sobremesa e o ti-punch caseiro, ronda os 12 euros.

6. Le Barachois, Blue Bay

Blue Bay é famosa pela sua lagoa e pela sua praia. Mas poucos turistas conhecem o Le Barachois, um restaurante de peixe situado na vila piscatória adjacente. O dono abastece-se diretamente junto dos pescadores locais todas as manhãs.

O caranguejo em court-bouillon, o peixe em molho vierge com tomate e alcaparras locais, os camarões salteados com alho — a carta muda consoante a pesca do dia, e é precisamente isso que lhe dá encanto. Preveja um orçamento de 20 a 30 euros por pessoa com um copo de cerveja Phoenix ou vinho do Cabo.

Blue Bay é um dos destinos mais completos do sudeste, com o seu notável parque marinho. Combine uma manhã de snorkeling com um almoço no Le Barachois para um dia memorável.

7. Chez Linda, Rivière des Anguilles

Esta table d’hôte é difícil de encontrar — não consta nos grandes guias e Linda não tem presença na internet. Foi um vizinho de hotel que me deu a morada numa conversa. Linda é uma senhora na casa dos cinquenta que recebe em sua casa, na aldeia, na região açucareira do sul.

As suas especialidades são os pratos da avó: o cari de polvo com tomate e curcuma, o arroz glutinoso com feijão-de-lima, as bananas flambeadas com rum para a sobremesa. O que torna esta refeição excecional é a conversa — Linda é inesgotável sobre a história da região, as tradições culinárias da sua comunidade, as histórias da sua vida nesta ilha que adora.

Telefone antes de aparecer — só recebe com reserva. Rivière des Anguilles fica a meio caminho entre Souillac e Mahébourg, na região açucareira do sul.

8. Dolce Vita, Flic-en-Flac

Flic-en-Flac é a estância balnear mais animada da costa oeste, e a sua rua principal está ladeada de restaurantes que visam os turistas com menus em cinco línguas e fotos plastificadas. O Dolce Vita, um pouco afastado da agitação principal, é a exceção.

Gerido por uma família de origem italiana instalada nas Maurícias há três gerações, este restaurante mistura a cozinha crioula com a tradição italiana com notável precisão. O risotto de lagostins e leite de coco, a massa fresca com cari de cabrito, o tiramisù com baunilha de Rodrigues — uma cozinha de fusão genuína, sem ostentação.

Aproveite a sua noite em Flic-en-Flac para assistir ao pôr do sol antes do jantar — é uma das experiências mais memoráveis da costa oeste.

9. La Cambuse du Marin, Mahébourg

Mahébourg tem um mercado noturno à sexta-feira que atrai toda a população local. A La Cambuse du Marin tem lá uma banca fixa há anos — mesas e cadeiras de plástico, uma grelha que fumega permanentemente, uma fila constante.

As grelhadas de peixe, os espetos de lagostim marinados em lima e piripiri verde, os pedaços de barracuda grelhados no carvão — é simples, é selvagem, é extraordinário. Partilhe uma mesa com mauricianos, peça uma garrafa de Phoenix bem gelada, e terá vivido uma noite autêntica como poucos guias turísticos sabem propor.

10. La Chaumière du Lac, Curepipe

Para terminar, uma morada que se afasta um pouco da cozinha crioula para propor uma cozinha franco-mauriciana mais clássica, num ambiente encantador. A Chaumière du Lac está instalada à beira de um lago artificial nas alturas de Curepipe, e a sua grande sala de madeira com lareira (sim, faz frio em Curepipe no inverno austral) cria uma atmosfera única.

A cozinha é cuidada, os produtos locais são valorizados — palmito, peixe de lagoa, frutos tropicais. A refeição é um pouco mais formal e mais cara (40 a 50 euros por pessoa com vinho), mas para um jantar especial no interior da ilha, é uma morada que se recomenda sem hesitação.

Curepipe merece um dia inteiro: a cratera Trou aux Cerfs, a arquitetura colonial, os jardins botânicos. A Chaumière du Lac é a conclusão perfeita deste dia nos planaltos.

Conselhos práticos para comer à moda local nas Maurícias

A reserva

A maioria das table d’hôtes só funciona com reserva — e por vezes apenas por WhatsApp. Contacte as suas moradas favoritas na véspera ou na antevéspera da visita. Muitas cozinheiras preparam em função do número de talheres anunciado e não gostam de improvisar.

A comunicação

Um pouco de crioulo ou de inglês basta na maioria dos estabelecimentos locais. O francês é compreendido em todo o lado, mas o esforço de falar kreol — mesmo que algumas palavras — é sempre apreciado e abre portas.

Os horários

Os restaurantes locais seguem horários rígidos: almoço entre as 11h30 e as 14h, jantar antes das 21h. Evite chegar às 14h30 à espera de ainda conseguir comer — arrisca-se a encontrar a porta fechada ou um menu reduzido.

Os mercados como alternativa

Os mercados locais são uma opção económica e festiva para comer qualquer coisa rápida. O mercado central de Port Louis, o mercado de Flacq à quarta-feira e o mercado noturno de Mahébourg à sexta-feira são experiências por si só. Samossas fritos à sua frente, dholl puris a 1 euro, sumos de fruta frescos, cari para levar numa folha de bananeira — a street food mauriciana é uma aventura gastronómica.

O que estas moradas têm em comum

Nenhuma destas dez moradas consta nos grandes guias turísticos. Nenhuma dispõe de um departamento de marketing ou de presença ativa nas redes sociais. Sobrevivem e prosperam graças ao passa-palavra, à fidelidade da clientela local, e à qualidade do que servem.

É isto, comer à moda mauriciana: aceitar sair da zona de conforto, perder-se um pouco, comer num sítio que, visto da rua, não parece grande coisa. E descobrir, atrás de uma porta qualquer ou à volta de uma mesa de fórmica, uma generosidade culinária que ultrapassa muitas vezes largamente os estabelecimentos mais cotados.

Para ir mais longe, o nosso guia gastronómico das Maurícias apresenta as especialidades a conhecer, os imperdíveis das diferentes comunidades e os melhores mercados da ilha. E se o rum lhe interessa tanto como a cozinha, o nosso guia do rum mauriciano vai conduzi-lo até às destilarias e às melhores garrafas para trazer para casa.

Coma à moda local. Não se vai arrepender.

O que vai comer nas Maurícias

Para se preparar para estas descobertas gastronómicas, aqui fica um léxico rápido dos pratos que vai encontrar nestas moradas.

O cari (ou carry) é o prato central da cozinha mauriciana. À base de carne ou peixe cozinhados lentamente numa mistura de curcuma, gengibre, alho e piripiri, tem infinitas variantes: cari de frango, cari de peixe, cari de polvo, cari de legumes. Servido com arroz basmati, dal (lentilhas) e achards.

A rougaille é um molho de tomate à crioula, perfumado com gengibre e piripiri. A rougaille de salsichas é o prato de comfort food por excelência dos mauricianos. Servida com arroz e dal, constitui um almoço completo e económico em qualquer tasca local.

O dholl puri é a street food emblemática das Maurícias: uma panqueca fina de farinha de ervilha partida, servida recheada com feijão salteado, chatini de coco e condimentos picantes. Come-se de manhã ou como lanche a qualquer hora.

O briani (ou biryani) é um prato de arroz aromático de inspiração indo-mauriciana, cozinhado com carne (frango, borrego) e uma mistura de especiarias complexa. É o prato de festa por excelência nas comunidades muçulmanas e hindus da ilha.

O achard é um condimento de legumes marinados em vinagre e especiarias. O achard de legumes (couve, cenoura, feijão) acompanha quase todos os pratos crioulos. Estaladiço, ácido e picante, realça qualquer prato.

As brèdes são folhas de vegetais (abóbora, morelle, chuchu, taro) salteadas com alho e azeite, ligeiramente picantes. Um acompanhamento saudável e saboroso, muito popular na cozinha crioula.

A questão do piripiri

Antes de se lançar numa table d’hôte mauriciana, uma palavra sobre o piripiri. A cozinha mauriciana autêntica é picante — muitas vezes mais do que os paladares europeus não habituados conseguem suportar confortavelmente. As cozinheiras locais tendem a temperar segundo as suas próprias preferências, que são muitas vezes bastante picantes.

Dois conselhos: primeiro, não hesite em avisar na reserva que prefere pratos “menos picantes” ou “suaves” — a maioria das cozinheiras adapta-se sem problema. Depois, os achards e condimentos picantes são frequentemente servidos à parte — sirva-se conforme a sua tolerância em vez de misturar tudo.

As crianças, em particular, podem sofrer com uma cozinha demasiado apimentada. O nosso guia família nas Maurícias inclui conselhos para gerir as refeições com crianças pequenas nos restaurantes locais.

Comer sozinho vs. em grupo nas Maurícias

As table d’hôtes mauricianas são pensadas para a partilha. Este formato de mesa comum, onde se come com outros viajantes e por vezes com a família anfitriã, é um dos aspetos mais enriquecedores da experiência gastronómica mauriciana.

Viajar sozinho não é um obstáculo — pelo contrário. Ao comer sozinho numa tasquinha local ou numa table d’hôte, está naturalmente mais disponível para a conversa e mais suscetível de criar contactos com os locais. Algumas das minhas melhores memórias gastronómicas nas Maurícias foram almoços solitários que se transformaram em refeições coletivas improvisadas.

Para o aluguer de carro nas Maurícias que lhe vai permitir chegar a estas moradas fora dos circuitos turísticos, o nosso guia prático dá todos os conselhos necessários — incluindo para os viajantes que nunca conduziram do lado esquerdo.